11Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonozor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos encantadores, dos caldeus, e dos adivinhadores;
6e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. 7Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro. 8Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
4Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente; dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação 5Respondeu o rei, e disse aos caldeus: Esta minha palavra é irrevogável se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo;
9Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, dizendo-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante de mim, 10e na vide três sarmentos; e, tendo a vide brotado, saíam as suas flores, e os seus cachos produziam uvas maduras. 11O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, eu as espremia no copo de Faraó e entregava o copo na mão de Faraó. 12Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são três dias; 13dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu cargo; e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro. 14Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa; 15porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada tenho feito para que me pusessem na masmorra. 16Quando o padeiro-mor viu que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha cabeça. 17E no cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que fazem os padeiros; e as aves os comiam do cesto que estava sobre a minha cabeça. 18Então respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: Os três cestos são três dias; 19dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.
15E Faraó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ri ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas. 16E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó. 17Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava em pé na praia do rio, 18E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. 19E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista, e magras de carne; não tenho visto outras taus, quanto à fealdade, em toda a terra do Egito 20E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; 21E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas; porque o seu parecer era feio como no principio. Então acordei. 22Depois vi em meu sonho, e eis que dum mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas; 23E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental brotavam após elas. 24E as sete espigas miudas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse. 25Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer, notificou-o a Faraó. 26As sete vacas formosas são sete anos; as sete espigas formosas também são sete anos; o sonho é um só. 27E as sete vacas magras e feias à vista, que subiam depois delas, são sete anos, como as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental; serão sete anos de fome. 28Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó. 29E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito 30E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra: 31e não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que seguirá; porquanto será gravíssima. 32Ora, se o sonho foi duplicado a Faraó, é porque esta coisa é determinada por Deus, e ele brevemente a fará. 33Portanto, proveja-se agora Faraó de um homem entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito. 34Faça isto Faraó: nomeie administradores sobre a terra, que tomem a quinta parte dos produtos da terra do Egito nos sete anos de fartura; 35e ajuntem eles todo o mantimento destes bons anos que vêm, e amontoem trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades e o guardem; 36assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome.
13No momento em que Gideão chegou, um homem estava contando ao seu companheiro um sonho, e dizia: Eu tive um sonho; eis que um pão de cevada vinha rolando sobre o arraial dos midianitas e, chegando a uma tenda, bateu nela de sorte a fazê-la cair, e a virou de cima para baixo, e ela ficou estendida por terra. 14Ao que respondeu o seu companheiro, dizendo: Isso não é outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, varão israelita. Na sua mão Deus entregou Midiã e todo este arraial. 15Quando Gideão ouviu a narração do sonho e a sua interpretação, adorou a Deus; e voltando ao arraial de Israel, disse: Levantai-vos, porque o Senhor entregou nas vossas mãos o arraial de Midiã.
Comentários Bíblicos
Análises teológicas e notas explicativasComentário Bíblico
Chefe dos magosCBA
Daniel 4:948Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador sobre toda a província de Babilônia, como também o fez chefe principal de todos os sábios de Babilônia.
9Ó Beltessazar, chefe dos magos, porquanto eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
Dize-me as visões (ARC)CBA
Daniel 4:910Eram assim as visões da minha cabeça, estando eu na minha cama: eu olhava, e eis uma árvore no meio da terra, e grande era a sua altura;
1Nabucodonozor rei, a todos os povos, nações, e línguas, que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada. 2Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. 3Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração. 4Eu, Nabucodonozor, estava sossegado em minha casa, e próspero no meu palácio. 5Tive um sonho que me espantou; e estando eu na minha cama, os pensamentos e as visões da minha cabeça me perturbaram. 6Portanto expedi um decreto, que fossem introduzidos à minha presença todos os sábios de Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho. 7Então entraram os magos, os encantadores, os caldeus, e os adivinhadores, e lhes contei o sonho; mas não me fizeram saber a interpretação do mesmo. 8Por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo: 9Ó Beltessazar, chefe dos magos, porquanto eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
Nota Adicional a Daniel 4CBA
Daniel 4:1-3719E Babilônia, a glória dos reinos, o esplendor e o orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou.
Foi a cidade de Nabucodonosor que Koldewey desenterrou, durante os 18 anos de escavações alemãs. Não se encontrou praticamente nada dos estágios anteriores da cidade. Para isso atribuíram-se duas razões: (1) a mudança do curso do rio Eufrates elevou o nível da água, de modo que os estratos da cidade antiga estão agora abaixo do nível da água; ed (2) a destruição de Babilônia pelo rei assírio Senaqueribe, em 689 a.C ., foi tão completa que restou pouco da antiga cidade que pudesse ser descoberto por gerações posteriores. Por isso, todas as ruín as atuais visíveis datam do império neobabilônico e de épocas posteriores. Mesmo essas mostram desolação e confusão incomuns, por duas razões: (1) grande parte da cidade foi destruída pelo rei Xerxes, da Pérsia, após duas revoltas babilônicas contra seu governo; e (2) as ruín as de Babilônia foram usadas por Seleuco para construir Seleucia, por volta de 300 a.C. A maior parte das edificações das vilas vizinhas e da cidade de Hilla, bem como a grande represa do rio Hindiya, foram construídas com tijolos de Babilônia.
A despeito dessas desva ntagens, os escavadores tiveram êxito em e scla recer boa parte do desenho da Babilônia de Nabucodonosor. Nisso, eles tiveram ajuda de antigos documentos cuneiformes encontrados durante as escavações. Esses documentos co ntêm descrições detalhadas da cidade, de seus principais edifício s, muros e bairros, de modo que se conhece mais da planta da Babilônia de Nabucodonosor do que de muitas cidades medievais europeias. Portanto, há muita informação di sponível quanto a cidade em cujas ruas Daniel caminhou e a respeito da qual Nabucodonosor proferiu as palavras registradas em
30falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder, e para a glória da minha majestade?
A extensão da antiga Babilônia - Antes que as escavações revelassem a verdadeira dimensão da Babilônia de Nabucodonosor e da mais antiga, eruditos se baseavam na descrição de Heródoto. Esse hi storiador declara ter visitado a Mesopotâmia em meados do 5° século a.C .; e suas declarações, portanto, são com frequência consideradas as de uma testemunha ocular. Ele afirma que (i.178, 179) Babilônia tinha a forma ele um grande quadrado, de 22 km de lado. Essas medidas dariam aos muros da cidade uma extensão total de 88 km, e à cidade em si uma área de quase 490 quilômetros quadrados. Ele também afirma que os muros tinham a espessura de 30m e altura de 104 metros.
Antes que as escavações modernas revelassem o tamanho da antiga Babilônia, os es tudiosos tentavam harmonizar as afirmações de Heródoto com as ruínas visíveis. O assi riologista francês Jules Oppert, por exemplo, procurou explica r a declaração de Heródoto estendendo a área da cidade de Babilônia até incluir a Birs N imrud, 19 km a sudoeste das ruínas de Babilônia, ou a Tell el-Oheimir, 13 km ao leste. Essa explicação é insati sfatóri a. Já nos dias de Oppert, sabia-se que Birs Nimrud é o sítio da antiga Borsipa, e Tell el-Oheimir, o de Kish; ambas cidades famosas e independentes com muros de proteção separados. Visto que jamais se encontrou um muro que rodeasse tanto Babilônia como também Borsipa ou Kish, e uma vez que tal muro não é mencionado em nenhum dos documentos contemporâneos que descreve a cidade antiga, o cálculo de Oppert, baseado na declaração de Heródoto a respeito da extensão dos muros de Babilônia, não pode ser aceito.
As escavações revelaram que, antes da época de Nabucodonosor, a cidade era quase quadrada, com muros de 1,5 km de extensão de cada lado: a cidade interna, no mapa da p. 876. Os palácios e prédios administrativos estavam na parte noroeste da cidade, e ao sul deles ficava o principal conjunto de templos chamado Esagila, dedicado a Marduque, principal deus de Babilônia. O rio Eufrates fluía ao longo do muro ocidental de Babilônia.
Quando Babilônia foi capital do vasto império, no tempo de Nabopolassar e Nabucodonosor, precisou ser aumentada. Construiu-se uma nova área às margens ocidentais do Eufrates. A extensão é conhecida, mas poucas escavações foram realizadas nessa parte. O que se sabe de seus templos e ruas foi reunido a partir de documentos cuneiformes que descrevem essa área. Ela estava ligada à cidade antiga por uma ponte que ficava sobre oito pilares, como revelaram as escavações.
Nabucodonosor também construiu um novo palácio distante e ao norte da antiga cidade, o famoso palácio de verão. Construiu-se um grande muro externo para envolver o palácio. O novo muro ampliou muito a área da cidade. Não existe evidência de um muro ao longo do rio desde o palácio de verão até a antiga área do palácio. Portanto, conclui-se que o rio em si era considerado uma proteção suficientemente forte.
Os muros, que ainda podem ser vistos como monturos grandes e altos, estendiam-se por aproximadamente 20 km. Essa é a extensão total dos muros de ambas as cidades, interna e externa. A circunferência da cidade de Nabucodonosor, incluindo as áreas ribeirinhas, desde o palácio de verão até o setor do antigo palácio, tinha cerca de 15 km.
Escavações modernas mostram que a descrição de Heródoto quanto às dimensões dos muros precisa ser modificada. As fortificações que rodeavam a cidade interna consistiam de muros duplos: o interno, com 6,5 m de espessura, e o externo, com 3,7 m de espessura. O sistema de fortificações externas também era duplo, com um preenchimento de cascalho entre ambos os muros e um caminho na parte superior, de acordo com Heródoto. A espessura de cada um deles era a seguinte: muro interno, 7,1 m; espaço para preencher, 11,2 m; muro externo, 7,8 m, com uma espécie de reforço na base, de 3,3 m de espessura. Portanto, o total da espessura dessa fortificação externa era de 29,4 m. Das suas muitas torres, 15 foram escavadas.
As escavações nada dizem sobre a altura dos muros, visto que restam apenas as bases, e em nenhuma parte têm mais que 12 m, como na porta de Ishtar. Parece inconcebível que mesmo um muro duplo, com a espessura de base de 29 m, possa ter tido 104 m de altura. Não se conhece nenhum tipo de muro de cidade, antiga ou moderna, com essas proporções. Portanto, a declaração de Heródoto com respeito à altura do muro de Babilônia não ~ 3! deve ser considerada literalmente.
Quais as razões para essas inconsistências? É dada a seguinte explicação: Quando Heródoto visitou Babilônia, em grande parte a cidade jazia em ruínas, tendo sido destruída por Xerxes após duas revoltas contra seu governo. Templos, palácios e todas as fortificações foram totalmente demolidos. Na época de sua visita, Heródoto precisou depender de informações orais com respeito às dimensões das antigas construções, a aparência dos edifícios e o tamanho da cidade e dos muros. Visto que não falava a língua dos babilônicos, mas dependia de um guia de fala grega, ele pode, devido a dificuldades de tradução, ter recebido informação inexata. Algumas de suas declarações errôneas podem dever-se a lapsos de memória.
O assiriologista F. M. Th. de Liagre Bohl apresentou outra explicação. Ele sugere que Heródoto pode ter considerado toda a fortaleza de Babilônia, incluindo as áreas que ficavam dentro da região que podia ser inundada em tempos de perigo. Bohl destaca que é extremamente difícil a um leigo distinguir entre os diques de canais secos e o restante de muros de cidades antigas. A única diferença é a ausência de fragmentos de cerâmica nos diques. Há fragmentos de cerâmica em abundância próximos aos antigos muros da cidade. Portanto, deve-se considerar possível que Heródoto tenha tomado por restos dos muros da cidade alguns dos muitos diques (ver Ex Oriente Lux, n. 10, 1945-48, p. 498, n. 28).
Embora a antiga Babilônia não tivesse o tamanho fantástico que Heródoto lhe atribuiu, ela era enorme numa época em que as cidades eram pequenas para os padrões modernos. Seu perímetro de 17,5 km suplantava o de 12,5 km de Nínive, a capital do império assírio; o dos muros da Roma imperial, de 10 km; e os 6,5 km dos muros de Atenas na época do apogeu dessa cidade, no 5° século a.C. Essa comparação com outras cidades famosas da Antiguidade mostra que Babilônia era, com a possível exceção da antiga Tebas, no Egito, então em ruínas, a maior de todas as capitais antigas, embora fosse bem menor do que os escritores clássicos a retratam. É compreensível que Nabucodonosor se sentisse no direito de se vangloriar por ter edificado "a grande Babilônia" com o seu "grandioso poder" (
30falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder, e para a glória da minha majestade?
Uma cidade de templos e palácios - Pelo fato de Babilônia abrigar o santuário do deus Marduque, considerado o senhor do céu e da terra, o principal de todos os deuses, os antigos babilônicos consideravam sua cidade o "umbigo" do mundo. Por isso, Babilônia era um centro religioso sem comparação. Um tablete cuneiforme do tempo de Nabucodonosor alista 53 templos dedicados a deuses importantes, 955 pequenos santuários e 384 altares de rua, todos dentro dos limites da cidade. Em comparação, Assur, uma das principais cidades da Assíria, com seus 34 templos e capelas, fazia uma impressão relativamente pobre. Pode-se entender bem por que os babilônios se orgulhavam da cidade, dizendo: "Babilônia é a origem e o centro de todas as terras". Seu orgulho se reflete nas famosas palavras de Nabucodonosor citadas no com. de
30falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder, e para a glória da minha majestade?
"Ó Babilônia, quem te contempla se enche de regozijo,
Quem habita em Babilônia vive mais,
Quem fala mal de Babilônia é como aquele que mata a própria mãe.
Babilônia é como uma doce tamareira, cujo fruto é agradável ao olhar."
O centro da glória de Babilônia era a famosa torre-templo Etemenanlú, "a pedra fundamental do céu e da terra", com uma base quadrada de 90 m de cada lado e, provavelmente, 91,4 m de altura. Esse edifício foi superado em altura nos tempos antigos apenas pelas duas grandes pirâmides de Gizé, no Egito. A torre deve ter sido construída no local onde estava a torre de Babel. A estrutura de tijolos consistia de sete níveis, dos quais o menor e mais elevado era um santuário dedicado a Marduque, o principal deus de Babilônia (ver mais detalhes, no com. de
9Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra.
Um grande conjunto de templos, chamado Esagila, literalmente, "o que levanta a cabeça", rodeava a torre Etemenanlú. Seus átrios e edifícios foram o cenário de muitas cerimônias religiosas realizadas em honra a Marduque. Grandes e coloridas procissões terminavam nesse lugar. Com exceção do grande templo de Amon, em Karnak, Esagila foi o maior e mais famoso de todos os templos do Oriente antigo. Na época em que Nabucodonosor subiu ao trono, ele já tinha uma longa e gloriosa história, e o novo rei reconstruiu inteirame nte e embelezou grandes espaços do conjunto de templos, incluindo a torre Etemenanhi.
Tanto em número como em tamanho, os palácios de Babilônia revelavam ostentação incomum. Durante seu longo reinado de 43 anos, Nabucodonosor construiu três grandes castelos ou palácios . Um deles ficava dentro da cidade interna, os outros, fora. Um e ra o palácio de verão, na parte mais ao norte do novo quarteirão oriental. O monturo que cobre suas ruínas é o mais alto entre tod as as ruínas da antiga Babilônia, e é o único lugar que ainda leva o antigo nome Babil. Contudo, a completa destruição desse palácio na Antiguidade e o subsequente saque de tijolos de sua estrutura não deixa ram muito para os arqueólogos descobrirem. Por isso, sabe-se pouco sobre o palácio.
Outro grande palácio, que os escavadores chamam de palácio central estava imediatamente fora do muro norte da cidade interna. Esse também foi constru ído por Nabucodonosor. Os arqueólogos encontraram essa grande construção também num estado sumamente desolado, com exceção de uma parte, o museu de antiguidades. Ali, objetos va liosos do passado glorioso da hi stória babilônica, como estátuas antigas, inscrições e troféus de guerra, foram reunidos e exibidos "para que os homens contemplem", como expressou Nabucodonosor em uma das inscrições.
O palácio do sul ficava no canto noroeste da cidade interna e continha, entre outros edifícios, os famosos jardins suspensos, uma das sete maravilhas do mundo a ntigo. Um grande edifício abobadado tinha em seu topo um jardim irrigado por um sistema de canos por meio dos quais se bombeava água. Segundo Diodoro, Nabucodonosor construiu esse maravi lhoso edifício para que sua esposa meda [da Média] encontrasse, na Babilônia plana e sem árvores, um substituto das colinas arborizadas de sua pátria, da qual sentia falta. Nas abóbadas abaixo dos jardins suspensos armazenavam-se provisões de cereais, azeite, frutas e especiarias para as necessidades da corte e de seus dependentes. Escavadores encontraram, nessas salas, documentos administrativos, alguns dos quais mencionam que o rei Joaquim, de Judá, recebia rações reais.
Junto aos jardins suspensos ficava um extenso conjunto de edifícios, salas e quartos que tinham substituído o palácio menor de Nabopolassar, pai de Nabucodonosor. Esse palácio do sul era conside rado a res idência oficial do rei, lugar de todas as cerimônias do estado. Ao centro ficava a grande sala do trono, com 17 por 52 m e, possivelmente, 18 m de altura. Essa imensa sala pode ter sido onde Belsazar promoveu o banquete de sua última noite de vida, pois nenhuma outra sala do palácio era grande o suficiente para acomodar mil convidados (ver
1O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu vinho na presença dos mil.
Uma das estruturas coloridas dessa cidade era a famosa porta de Ishtar, junto ao palácio do sul, que formava uma das entradas pelo norte da cidade interna. Essa era a mais bela das portas de Babilônia, pois por ela passava o "caminho da procissão", que levava dos diferentes palácios reais ao templo Esagila. Felizmente, essa porta não foi tão completamente destruída como os demais edifícios de Babilônia e é a ma is impressionante de todas as ruínas da cidade. Tem altura de aproximadamente 12m.
As estruturas interiores dos muros e portas da cidade, dos palácios e templos eram de tijolos crus. As coberturas externas consistiam de tijolos queimados e, em alguns casos, esmaltados. Os tijolos externos dos muros da cidade eram amarelos; os da porta, azuis; os dos palácios, rosa; e os dos templos, brancos. A porta Ishtar era uma estrutura dupl a, por causa dos muros duplos. Tinha 50 m de extensão e consistia de quatro estruturas semelhantes a torres de espessuras e alturas variadas. Os muros eram de tijolos cujas superfícies esmaltadas formavam figuras de animais em relevo. Havia pelo menos 575 deles, incluindo bois amarelos, com listras decorativas de pelo azul, e patas e chifres verdes. Eles se alternavam com animais mitológicos amarelos, chamados sirrush, que tinham cabeças e caudas de serpentes, corpos com escamas e pés de águia e gato (ver ilustração na p. 951, e em Dicionário Bíblico Adventista, fi g. 137).
O acesso à porta de Ishtar (ver ilustração na p. 951) tinha muros de defesa de ambos os lados da ru a. Nesses muros havia leões feitos com tijolos esmaltados e em re levo, brancos com jubas amarelas ou amarelos com jubas vermelhas (que com o tempo fic aram verdes), num fundo azul.
Assim era a cidade colorida e poderosa que o rei Nabucodonosor construiu: a joia das nações. Seu orgulho por ela se reflete nas inscrições que deixou para a posteridade. Uma delas, no Museu de Berlim, diz:
"Fiz de Babilônia, a cidade sa nta, a glória dos grandes deuses, mais destacada que antes, e promovi sua reconstrução. Fiz com que o santuário dos deuses e deusas fosse iluminado como o di a. Nenhum rei entre todos os reis jamais criou, nenhum rei anterior jamais construiu, o que construí magnificamente para Marduque. Promovi ao máximo o complexo de Esagila, e a renovação de Babilônia mais do que se fez antes. Todas minhas obras valiosas, o embelezamento dos santuários dos grandes deuses, que eu empreendi mais do que meus ancestrais reais, escrevi num documento para gerações futuras . Todos os meus feitos, que escrevi neste documento, lerão os que saibam ler e lembrarão a glória dos grandes deuses. Que minha vida seja longa, que me regozij e em meus descendentes; que minha descendência governe sobre o povo de cabeça negra por toda a eternidade, e que a menção do meu nome seja proclamado para o bem em todas as épocas futuras."
A Concepção de um Artista de Parte da Antiga BabilôniaCBA
Daniel 4:1-37