Título
Como os outros quatro livros do Pentateuco, o livro de Êxodo é designado pelos judeus, de acordo com a primeira frase do texto hebraico, We'eleh shemoth: "E estes são os nomes." O nome "Êxodo é composto de duas palavras gregas que significam "caminho de saída" ou "a saída" (dos israelitas do Egito) e foi adotado pelos tradutores da Vulgata, a qual por sua vez o tirou da LXX. Esse termo se refere ao tema central do livro. As palavras "O Segundo Livro de Moisés" não aparecem no texto hebraico; foram acrescentadas posteriormente.
Autoria
Autor e Personagem Central: Moisés, comumente aceito.
Quando foi escrito: 1450 - 1410 a.C
Pensamento chave: Libertação.
A questão da autoria do livro de Êxodo está estreitamente ligada à autoria dos demais livros do Pentateuco, principalmente à de Gênesis, do qual Êxodo é uma continuação. O livro de Êxodo desempenha um papel importante na identificação do autor do Pentateuco, uma vez que algumas de suas declarações designam Moisés como o autor de trechos específicos dele. Por exemplo, Moisés devia registrar a batalha contra os amalequitas "num livro" (
Êx 17:14). Isso, em comparação com
Números 33:2, indica que Moisés tinha um diário.
Êxodo 24:4afirma que ele mesmo anotou as orientações contidas em Êxodo 20:21 a 23:33, o "livro da aliança" (
Êx 24:7). E, de acordo com
Êxodo 34:27, ele foi quem escreveu a revelação registrada nos v. 11-26. A evidência preservada no próprio livro de Êxodo, portanto, indica Moisés como o autor de relatos históricos e de outros registros contidos nele. No Pentateuco, não há menção de ninguém além de Moisés como autor de qualquer parte desses livros.
O uso de muitas palavras egípcias e a descrição minuciosa da vida e dos costumes egípcios que aparecem na primeira parte do livro sugerem que o autor foi educado no Egito e estava familiarizado com essa nação e sua cultura. Após o tempo de José, nenhum outro hebreu era mais qualificado para escrever a história do Êxodo. Apenas Moisés parece ter sido "educado em toda a ciência dos egípcios" (
At 7:22). Contudo, a prova mais contundente da autoria de Moisés se encontra no Novo Testamento. Em
Marcos 12:26, Cristo cita
Êxodo 3:6e se refere à sua fonte como "o livro de Moisés" (ver GC, 434). Essas três considerações: (o testemunho direto do próprio livro, a evidência indireta de que o autor foi educado no Egito e o testemunho de Cristo) garantem a exatidão da tradição judaica de que Moisés escreveu o livro de Êxodo.
Contexto Histórico
Gênesis, o primeiro livro de Moisés, apresenta um breve esboço da história dos escolhidos de Deus desde a criação do mundo até o fim da era patriarcal, um período de muitos séculos. Entretanto, os primeiros dois capítulos de Êxodo como uma continuação do Gênesis, abrangem cerca de 80 anos, e o restante do livro, apenas um ano, aproximadamente.
Embora a ausência de evidência arqueológica impeça de dogmatizar a respeito de vários pontos da história dos israelitas no Egito, parece haver razões suficientes para justificar a conclusão de que José e Jacó entraram no Egito durante a época dos hicsos. Esses governantes semitas eram amigáveis com seus irmãos étnicos, os hebreus, e, sob o domínio deles, José alcançou honra e fama. Porém, como invasores e governantes estrangeiros, os hicsos eram odiados pelos egípcios nativos, muito embora tenham governado com mão leve e trabalhado para o bem de seus súditos.
Após 150 anos de domínio hicso no Egito (c. 1730-1580 a.C.), Sekenenré se rebelou. Ele era príncipe egípcio de uma jurisdição no alto Egito e vassalo dos hicsos. O registro dessa rebelião aparece num relato lendário de uma data posterior e não revela o sucesso ou o fracasso da tentativa de Sekenenré em restaurar a independência do Egito. Sua múmia mostra terríveis feridas na cabeça, possivelmente recebidas no campo de batalha enquanto lutava contra os hicsos.
A verdadeira luta pela independência começou com Kamés, o filho e sucessor de Sekenenré. Ele teve êxito em expulsar os hicsos do alto e médio Egito e limitar o poder deles à região leste do Delta. Contudo, Kamés não viveu para ver a expulsão definitiva dos hicsos. Isso foi alcançado por seu irmão mais novo, Ahmés, que derrotou os odiados inimigos e os forçou a entregar sua capital, Avaris. Com a queda de Avaris, os hicsos perderam sua última fortaleza no Egito. Então, foram para Saruhen, no sul da Palestina, que, por sua vez, foi conquistada por Ahmés depois de três anos de campanha militar. A perda de Saruhen e a fuga dos hicsos para o norte marcaram o fim de seu domínio, bem como seu desaparecimento da história.
Após derrotarem os hicsos, os governantes de Tebas se tornaram monarcas absolutos de todo o Egito. Como reis da 18a dinastia, eles não apenas libertaram o Egito, mas subjugaram a Núbia e a Palestina, além de construir um império forte e próspero. Era natural que esses governantes, que não conheciam José (
Êx 1:8), considerassem suspeitos os israelitas que ocupavam a terra de Gósen na região oriental do Delta. Também é compreensível que os egípcios nativos não confiassem neles, pois haviam se estabelecido ali no tempo do domínio dos hicsos, eram etnicamente aparentados e tinham sido favorecidos por eles.
A cronologia dos reis da 18a dinastia ainda não foi fixada de forma definitiva. As seguintes datas, embora baseadas nas melhores evidências disponíveis, são apenas aproximadas. Ahmés foi sucedido por Amenhotep I (1546-1525 a.C.), que empreendeu campanhas militares no sul e no oeste. Seu filho Tutmés I (1525-1508 a.C.), que levou a cabo uma campanha militar na Síria e no Eufrates, foi o primeiro rei a registrar o trabalho de escravos asiáticos na construção de seus templos. É possível que fossem os hebreus. Ele foi sucedido por seu filho, Tutmés II (1508-1504 a.C.) e, após a morte desse último, Hatshepsut, filha de Tutmés I, governou o Egito pacificamente por 22 anos (1504-1482 a.C.). É provável que ela tenha sido a mãe adotiva de Moisés, uma vez que os primeiros 40 anos da vida dele foram durante os reinados de Tutmés I, Tutmés II e Hatshepsut. De acordo com a cronologia bíblica adotada neste comentário, Moisés fugiu do Egito alguns anos antes que Tutmés III reinasse como único rei.
No início do reinado de Hatshepsut, uma revolução dos sacerdotes a forçou a aceitar a corregência de seu sobrinho, Tutmés III. Seu desaparecimento repentino pode ter sido resultado de violência ou causas naturais. Se Hatshepsut foi a princesa que adotou Moisés, essa revolta dos sacerdotes deve ter acontecido em decorrência da recusa de Moisés em se tornar membro da casta sacerdotal (ver PP, 245). Assim que Tutmés III se tornou o único governante (1482-1450 a.C.), partiu para a Palestina numa campanha militar e derrotou uma coalizão de príncipes sírios e palestinos, em Megido. Seu império asiático se manteve unido graças a uma demonstração de força por meio de campanhas anuais. Como seu avô, ele afirmou que escravos asiáticos trabalharam em seus programas de construção de templos. Provavelmente, era ele o faraó de quem Moisés fugiu. Depois de Tutmés III, seu filho Amenhotep II subiu ao trono (1450-1425 a.C .). Ele deu início a um reinado de terror sistemático sobre suas possessões estrangeiras e se enquadra notavelmente bem no papel do faraó do êxodo. Por alguma razão, não mencionada em registros fora da Bíblia, não foi o príncipe herdeiro que sucedeu Amenhotep II no trono, mas seu outro filho Tutmés IV (1425-1412 a.C.). O desaparecimento do príncipe herdeiro pode ter acontecido devido à morte de todos os primogênitos na décima praga do Egito.
Esse é o contexto histórico dos eventos dramáticos descritos de modo vívido no livro de Êxodo. Não existem registros do êxodo além da Bíblia. Os egípcios nunca relatavam eventos desfavoráveis a si mesmos.
Tema
Tema principal: A história de Israel desde a morte de José até a construção do tabernáculo.
O principal objetivo de Moisés ao escrever o livro de Êxodo foi o de narrar a maravilhosa intervenção divina em favor de Sua nação escolhida ao libertá-la da escravidão e Sua bondosa condescendência ao fazer uma aliança com esse povo. O tema que atravessa todo o livro tem o propósito de mostrar que a repetida infidelidade do povo escolhido e a oposição da maior nação da Terra não puderam frustrar o plano de Deus para Israel. Os relatos do êxodo falam à imaginação dos jovens e fortalecem a fé dos mais velhos, suscitando confiança na liderança divina e compelindo-nos a seguir a Deus humildemente aonde quer que nos conduza.
SINOPSE:
Quatro períodos da história de Israel.
- I. O período do cativeiro.
- A opressão do Egito,
1:7-22.
- Eventos dos primeiros anos da vida de Moisés.
- II. O período da Libertação.
- A chamada de Moisés na sarça ardente,
3:1-10.
- Sua comissão e capacitação divina,
3:12-22;4:1-9.
- Suas desculpas,
3:11;4:10-13.
- Arão se associa com Moisés e ambos pedem a Faraó a libertação de Israel,
4:27-31;5:1-3.
- A escravidão ficou mais severa,
5:5-23.
- Instruções divinas a Moisés e a Arão, caps.
6-
7.
- A contenda com Faraó e a inflição das dez pragas, caps
7,8,9,10,11.
- A páscoa,
cap. 12.
- III. O Período da disciplina.
- IV. O período da Legislação e da organização.
- A chegada ao Sinai,
19:1-2.
- A aparição do Senhor no Monte,
cap. 19.
- A promulgação dos dez mandamentos,
cap. 20.
- Proclamação de outras leis, caps.
21,23,23,24.
- Orientação acerca da edificação do tabernáculo, caps.
25,26,27.
- A designação do sumo sacerdote,
cap. 28.
- A adoração do bezerro de ouro,
cap. 32.
- A preparação e a construção do tabernáculo, caps.
35,36,37,38,39,40.
A Peregrinaçäo de Israel como um Tipo da Vida Cristã.
- A escravidão no Egito. Um tipo da escravidão do pecado.
- Moisés como libertador. Um tipo de Cristo.
- O êxodo. Um tipo de abandono da vida de pecado.
- O cordeiro da páscoa. Um tipo de Cristo, o cordeiro de Deus.
- A perseguição de Israel por parte de Faraó,
14:8-9.Um tipo das forças do mal que perseguem aos crentes.
- A divisão do mar Vermelho,
14:21.Parte dos impedimentos é removida.
- A coluna de nuvem e fogo,
14:19-20.Um tipo da presença divina com os crentes.
- O cântico de Moisés,
15:1-19.Um tipo dos cânticos de vitória espiritual.
- A multidão mista,
12:38.Um tipo da gente mundana na igreja.
- Mara e Elim,
15:23-27.Um tipo das experiências amargas e doces da vida espiritual.
- As panelas de carne,
16:3.Um tipo dos prazeres sensuais da vida passada.
- O maná,
16:4.Um tipo de Cristo, o Pão da Vida.
- A água da rocha,
17:6.Um tipo de Cristo, a Água da Vida,
1Co 10:4.
- Sustentar erguidas as mãos de Moisés,
17:12.Um tipo da necessidade da cooperação entre líderes.
- Na estrutura do tabernáculo - seus utensílios, suas ordenanças, as vestes sacerdotais, a arca da aliança, etc. - estão muitos tipos de Cristo e da igreja.
Esboço
- O êxodo do Egito, 1:1 - 15:21.
- A permanência no Egito,
1:1-22.
- Os nomes dos filhos de Jacó,
1:1-6.
- Crescimento e opressão dos filhos de Israel no Egito,
1:7-22.
- A preparação de Moisés para a liderança. 2:1 - 4:31.
- Nascimento, proteção e juventude de Moisés,
2:1-10.
- Assassinato, fuga e permanência em Midiã,
2:11-22.
- A morte do faraó, um momento oportuno para o êxodo,
2:23-25.
- O chamado de Moisés,
3:1-
4:17.
- O retorno de Moisés ao Egito,
4:18-31.
- As dez pragas e o êxodo, 5:1- 13:16.
- Moisés e Arão pela primeira vez diante do faraó,
5:1-18.
- Renovação da promessa divina de libertar Israel,
5:19-
6:12.
- Genealogias de Rúben, Simeão e Levi,
6:13-26.
- Moisés e Arão pela segunda vez diante do faraó,
6:27-
7:13.
- Primeira praga: água se transforma em sangue,
7:14-25.
- Segunda praga: rãs,
8:1-15.
- Terceira praga: piolhos,
8:16-19.
- Quarta praga: moscas,
8:20-32.
- Quinta praga: pestilência no gado,
9:1-7.
- Sexta praga: tumores,
9:8-12.
- Sétima praga: chuva de pedras,
9:13-35.
- Oitava praga: gafanhotos,
10:1-20.
- Nona praga: trevas,
10:21-29.
- O pronunciamento da décima praga e a instituição da Páscoa,
11:1-
12:28.
- Décima praga: a morte dos primogênitos,
12:29,30.
- O êxodo,
12:31-42.
- Instruções com respeito à Páscoa e aos primogênitos,
12:43-
13:16.
- Do Egito ao Sinai, 13:17 - 19:2.
- Passagem pelo Mar Vermelho,
13:17-
14:31.
- O cântico de Moisés,
15:1-21.
- Mara e Elim,
15:22-27.
- Codornizes e maná no deserto de Sim,
16:1-36.
- Massá e Meribá,
17:1-7.
- A vitória sobre Amaleque e Refidim,
17:8-16.
- A visita de Jetro,
18:1-27.
- Chegada ao Sinai,
19:1,2.
- Israel no Sinai, 19:3 - 40:38.
- O decálogo é dado,
19:3-
20:21.
- A manifestação divina,
19:3-25.
- O decálogo,
20:1-17.
- O pavor de Israel,
20:18-21.
- O livro da aliança, 20:22-23:33.
- Leis concernentes ao altar,
20:22-26.
- Direitos do escravo hebreu,
21:1-11.
- Leis concernentes à vida e à propriedade,
21:12-
22:17.
- Leis concernentes a vários pecados,
22:18-20.
- Leis concernentes à ajuda ao necessitado,
22:21-27.
- Leis diversas,
22:28-
23:33.
- Confirmação da aliança,
24:1-18.
- Instruções concernentes ao tabernáculo e à sua mobília, 25:1 - 31:17.
- A oferta para o tabernáculo,
25:1-9.
- A arca,
25:10-22.
- A mesa dos pães da proposição,
25:23-30.
- O candelabro,
25:31-40.
- As cortinas e as tábuas,
26:1-37.
- O altar do holocausto,
27:1-8.
- As cortinas,
27:9-19.
- Azeite para o candelabro,
20,21
- As vestes sagradas,
28:1-43.
- Regulamentos concernentes à consagração dos sacerdotes,
29:1-37.
- Os sacrifícios diários,
29:38-46.
- O altar do incenso,
30:1-10.
- Leis concernentes ao resgate de almas,
30:11-16.
- A pia,
30:17-21.
- O óleo para unção,
30:22-33.
- O incenso sagrado,
30:34-38.
- O chamado de Bezalel e Aoliabe,
31:1-11.
- Exortação para a guarda do sábado,
12-17
- As duas tábuas de pedra são dadas a Moisés,
31:18.
- Apostasia e renovação da aliança, 32:1 - 34:35.
- O bezerro de ouro,
32:1-
33:11.
- A súplica de Moisés e seu êxito,
33:12-23.
- As novas tábuas de pedra,
34:1-35.
- A construção do tabernáculo e sua mobília, 35:1 - 40:38.
- Nova exortação para a guarda do sábado,
35:1-3.
- Ofertas para o tabernáculo,
35:4-29.
- Bezalel e Aoliabe são apontados,
35:30-
36:7.
- As cortinas e as tábuas,
36:8-38.
- A arca,
37:1-9.
- A mesa dos pães da proposição.
37:10-16.
- O candelabro,
37:17-24.
- O altar de incenso,
37:25-28.
- O óleo para unção e o incenso,
37:29.
- O altar do holocausto,
38:1-7.
- A pia,
38:8.
- O átrio,
38:9-20.
- A soma das ofertas do povo,
38:21-31.
- As vestes sagradas,
39:1-31.
- Moisés inspeciona o trabalho de construção do tabernáculo,
39:32-
40:38.
Capítulo 1